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domingo, 20 de setembro de 2015

FAZ ANOS NAVEGO O INCERTO



Faz anos navego o incerto.
Não há roteiros nem portos.
Os mares são de enganos
e o prévio medo dos rochedos
nos prende em falsas calmarias.
As ilhas no horizonte, miragens verdes.
Eu não queria nada além
de olhar estrelas
como quem nada sabe
para trocar palavras, quem sabe um toque
com o surdo camarote ao lado
mas tenho medo do navio fantasma
perdido em pontas sobre o tombadilho
dou a face e forma a vultos embaçados.
A lua cheia diminui a cada dia.
Não há respostas.
Queria só um amigo onde pudesse jogar o coração
como uma âncora.


(Caio Fernando Abreu)

sábado, 12 de setembro de 2015

Caio Fernando Abreu


Depois de várias tempestades e naufrágios, o que 
fica em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro.


(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Caio Fernando Abreu


Se algumas pessoas se afastaram de você,

não fique triste, isso é resposta da oração:
"Livrai me de todo mal, amém."


(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Caio Fernando Abreu


Cansei de virar as páginas.

Está na hora de mudar de livro.


(Caio Fernando Abreu)

STONE SONG


Eu gosto de olhar as pedras

que nunca saem dali.

Não desejam nem almejam
ser jamais o que não são.

O ser das pedras que vejo
é só ser, completamente.

Eu quero ser como as pedras
que nunca saem dali.

Mesmo que a pedra não voe,
quem saberá de seus sonhos?

Os sonhos não são desejos,
os sonhos sabem ser sonhos.

Eu quero ser como as pedras
e nunca sair daqui.

Sempre estar, completamente,
onde estiver o meu ser.


(Caio Fernando Abreu) 

sábado, 27 de junho de 2015

Triângulo das Águas (Caio Fernando Abreu)


Este livro TRIÂNGULO das ÁGUAS foi publicado originalmente em 1983 e há anos fora de catálogo, é um dos melhores livros de Caio Fernando Abreu (1948-1996). Reconhecido com o Prêmio Jabuti – a maior honraria literária brasileira –,


Triângulo é também um título exemplar do ponto de vista do estilo do autor: nas linhas das novelas que o compõem – Dodecaedro, O marinheiro e Pela noite – encontram-se cristalizadas algumas constantes na obra de Caio. A alma perdida em busca de alguma coisa (às vezes afeto), a verborragia e as referências que, longe de afetadas, exalam sinceridade aproximam os leitores, a vida sob o signo da madrugada, as boas-vindas aos mistérios da existência, concretizados, neste livro, pela presença da astrologia (inclusive no título), e o tom confessional-desesperado.

Triângulo das águas foi escrito não em São Paulo, onde o escritor gaúcho passou muitos anos da sua maturidade, mas no Rio de Janeiro, em isolamento no bairro de Santa Teresa, depois do sucesso de Morangos mofados, de 1982. Ao leitor destas novelas (ou noturnos, como o autor as chamou) não restará dúvidas quanto às razões por que Caio Fernando Abreu é considerado um dos escritores mais criativos e inovadores surgidos no Brasil nas últimas três décadas do século 20.


CICERO[N.C.S]

27/06/2015

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Caio Fernando Abreu


De repente a vida te vira do avesso 
e você descobre que o avesso,
é o seu lado certo.


(Caio Fernando Abreu)

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Caio Fernando Abreu


Nada em mim foi covarde,
nem mesmo as desistências:
Desistir ainda que não pareça,
foi meu grande gesto de coragem.


(Caio Fernando Abreu)