Somos donos de nossos atos, mas não somos donos de nossos próprios sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimentos.
O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranqüila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você". A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.
O livro flui como uma conversa em tom confessional com um amigo querido, num encontro onde é possível desfrutar de boa música, boa comida e boa companhia. Daqueles livros que dá vontade de grifar tudo o que está escrito, pois tudo o que ele diz transpira sabedoria. Assim, o autor vai sugerir que ao invés de tentar compreender a vida, deguste-a. E lança mão de um verso de Fernando Pessoa, que diz: “sinto-me nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo." Fazendo uma analogia deliciosa com o saber e o sabor que possuem o mesmo radical, ele mostra como a cultura ocidental negligencia o prazer em suas diversas formas, inclusive na área da educação e do conhecimento. É um livro de dar água na boca, liberto das regras do discurso acadêmico, um livro a sabedoria com prazer. Com uma rica referência de cinema, música e literatura sendo sugerida durante o livro, Variações Sobre o Prazer é, novamente, uma crítica aos eruditos, ao nosso modelo de educação, ao que a maioria das pessoas entende por ciência, conhecimento e sabedoria. É o amor que Rubem Alves não cansa de declarar à vida, sobretudo, à natureza. É preciso adiantar que o que se encontra neste livro não é um manual de abordagens para uma vida prazerosa, mas de como o ser humano deveria tirar mais vantagem disso. Não é o caminho que Alves tenta ensinar ao leitor, mas um olhar novo e distinto sobre algo cuja busca é considerada por muitos errada ou pecaminosa. No entanto, o Prazer em si é o que move o Mundo. CICERO[N.C.S] 20/10/2015
Ele aborda nesse livro uma maneira irreverente ao falar sobre a vida e seus questionamentos. Ele consegue embelezar os seus pensamentos, traduzindo as delícias da vida, descrevendo as belezas da natureza, intensificando as emoções e marcando as passagens dos anos com a experiência da esperança. Compara os fenômenos naturais com as verdades da vida e da morte; contempla as belezas de cada momento, como se fossem as últimas. Demonstra que ser sábio é saber viver a eternidade, é reconhecer que os anos passam, mas o homem não passa. À medida que o tempo envelhece o corpo, o espírito enriquece e avoluma conhecimento e aprendizagem. As reflexões de Rubem Alves envolvem memórias, saudades e lembranças de momentos, de pessoas queridas e guardadas dentro do coração, paisagens embaladas de sentimentos e amores escondidos, vidas entrelaçadas e irremediavelmente transformadas pelo furor das crises financeiras; mudanças para a construção de consciências; vida e morte.
Ambas andando lado a lado na renovação e na perpetuação das espécies. Aniversários confundidos, fotos penduradas, amareladas pelo tempo, inimigas da juventude, traduzidas pela coragem de envelhecer, pelo prazer de escrever, renovando as memórias de toda uma vida, trilhando os caminhos do amor, resgatando a criança que existe em cada um, sendo poeta, fazendo poesia dos rituais cotidianos,e principalmente, sendo alegre, descobrindo a felicidade, pois a alma é uma criança.
Sentia que o relógio chamava para o seu tempo, que era o tempo de todos aqueles fantasmas, o tempo da vida que passou... Tenho saudades dele. Por sua tranqüila honestidade, repetindo sempre, incansável, "tempus fugit". Ainda comprarei um outro que diga a mesma coisa. Relógio que não se pareça com este meu, no meu pulso, que marca a hora sem dizer nada, que não tem histórias para contar. Meu relógio só me diz uma coisa: O quanto eu devo correr para não me atrasar... Mas o relógio não desiste. Continuará a nos chamar à sabedoria: "tempus fugit..." Quem sabe que o tempo está fugindo descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será...