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domingo, 15 de janeiro de 2017
AS SEM-RAZÕES do AMOR
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
(Carlos Drummond de Andrade)
sábado, 31 de outubro de 2015
Carlos Drummond de Andrade
Se a máquina do tempo nos tritura,
Ao mesmo cria imagens novas.
Renascemos em cada criatura
Que nos traz do infinito as boas novas.
(Carlos Drummond de Andrade)
Carlos Drummond de Andrade
Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.
(Carlos Drummond de Andrade)
AUSÊNCIA
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)
O AMOR ANTIGO
O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda a parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.
(Carlos Drummond de Andrade)
Amar se Aprende Amando (Carlos Drummond de Andrade)
Nos poemas deste livro 'Amar se aprende amando' Enfim, o título não podia ser o mais correto possível: "amar se aprende amando". E só se ama no dia-a-dia, entre maus humores e desabafos, entre entusiasmos e festinhas, entre longas despedidas e boas vindas.
É uma coletânea de poemas sobre as pequenas e quase anônimas coisas do nosso cotidiano. O que não deixa de ser amor, afinal é nas pequenas coisas do dia a dia que esse sentimento se esconde ou se mostra. Destaco o poema "Amor Antigo", um dos meus favoritos de Carlos Drummond de Andrade.
Quem nunca imaginou como era estar apaixonado? É como andar de bicicleta, você só aprende tentando, e claro... caindo. No amor, as quedas seriam os nossos erros, as traições, o que fazemos de errado ao magoar alguém que amamos.
É um dos livros mais perfeitos que eu já li. É um olhar profundo sobre as pequenas coisas do cotidiano e uma reflexão sensível sobre aquilo que vemos e não enxergamos. Por ser um clássico, isso pesa até o ponto em que somos obrigados a amar. Nem que seja, amar a nós mesmos.
O livro abrange a poesia de uma forma sincera e verdadeira, é seguro e suave. Parece querer demonstrar toda a admiração que sentia pela vida, pelas pessoas e pelas coisas mais simples: a essência do que é mais precioso na vida! Uma rua, um sorriso, uma flor, uma praça, o mar, tudo se transforma em poesia nas mãos desse poeta.
A grande lição que o poeta tenta nos passar está no título dessa obra, simples assim... e sublime!
Amar se aprende amando, gente! E o mesmo vale para outras atividades, sobretudo para aquelas que exigem alguma dose desse mesmo amor!
CICERO[N.C.S]
31/10/2015
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Sentimento do Mundo (Carlos Drummond de Andrade)
"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo"...
Com esse verso marcante que começo a resenha do livro de poesias "Sentimento do mundo" do poeta da poesia universal, Carlos Drummond de Andrade.
Notei nitidamente um sentimento de medo nos versos, mas do outro lado uma esperança enorme. Medo e esperança andam juntos. E parando para pensar, esses dois sentimentos precisam um do outro para se tornarem fortes, ambos coligados.
Drummond renova e busca novos caminhos para temas como o amor, a morte e o tempo. Os poemas do livro não possuem rima e seus versos têm as mais diversificadas métricas, inclusive prosa.
Foi publicado por Drummond em 1940. Livro de poemas escritos na segunda metade da década de 1930, Neste livro o poeta desenvolve uma obra crítica em relação à (des)humanidade dos próprios seres humanos perante à uma guerra mundial iminente e à indiferença do mundo ao sofrimento das vítimas de regimes totalitários europeus. Além disso, estão presentes na obra alguns poemas de natureza intimista que recordam a infância do poeta em Itabira.
Até por esse detalhe de época pode ser que algumas pessoas ao lê-lo, podem achar distante alguns poemas por não entender o contexto.
Sentimento do mundo", ele revela seu desejo e intenção de ajudar, porém ao mesmo tempo, sua incapacidade de fazê-lo, por ser uma única pessoa ("Tenho apenas duas mãos/e o sentimento do mundo"). Por fim, revela que a única maneira de recuperar este mundo de pessoas perdidas em seus próprios universos egoístas e capitalistas é a união, o que revela no poema "Mãos dadas".
CICERO[N.C.S]
1º/10/2015
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
sábado, 27 de junho de 2015
SENTIMENTO do MUNDO
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.
(Carlos Drummond de Andrade)
sexta-feira, 15 de maio de 2015
CANÇÃO AMIGA
Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
(Carlos Drummond de Andrade)
terça-feira, 21 de abril de 2015
O Avesso das Coisas (Carlos Drummond de Andrade)
Em 'O AVESSO das COISAS', Neste livrinho gracioso, publicado em 1987, nada mais é do que uma reunião de pensamentos de Carlos Drummond de Andrade. Organizado como um dicionário, é possível encontrar a definição de várias palavras de acordo com o pensamento do autor. Uma ótima opção para conhecer um pouco mais de Drummond como pessoa. Pensamentos escritos que são “resultados de viver” (segundo o próprio). Um livro para ler a qualquer hora, sem ordem, sem regra. É só abrir e se deparar com o avesso das coisas.
Ele reúne um conjunto de máximas com aparência de mínimas. A reunião de aforismos mostra a engenhosidade e o lirismo do poeta Drummond num gênero tão distante da poesia que o consagrou. Como um ensejo de dicionário, mas apenas com palavras escolhidas, este livro nos apresenta definições diferentes para palavras como amor, literatura, amizade, poesia e vida, entre outras.
CICERO[N.C.S]
21/04/2015
quarta-feira, 1 de abril de 2015
NO MEIO do CAMINHO
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.
(Carlos Drummond de Andrade)
Carlos Drummond de Andrade
O sofrimento é repartido ao longo
da vida e separado por blocos
de esquecimento.
(Carlos Drummond de Andrade)
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