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segunda-feira, 3 de abril de 2017

OLHOS de LINCE


Quem fala que sou esquisito hermético

É porque não dou sopa estou sempre elétrico
Nada que se aproxima nada me é estranho
Fulano sicrano e beltrano
Seja pedra seja planta seja bicho seja humano
Quando quero saber o que ocorre a minha volta
Ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
Experimento tudo nunca me iludo
Quero crer no que vem por ao beco escuro
Me iludo passando presente futuro
Revir na palma da mão o dado
Presente futuro passado
Tudo sentir de todas as maneiras
É a chave de ouro do meu jogo
De minha mais alta razão
Na seqüência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão.


(Waly Salomão)


quarta-feira, 20 de maio de 2015

ARENGA da AGONIA


você não possui casa alguma de onde sair,

você não pode voltar para casa nenhuma,
o prólogo acabou e a mácula timbra a imagística:
                            o beco sem saída não constitui mais 
                            mera figura de retórica.
você é o beco sem saída completo:
                                                        corpóreo,
encorpado, e, incorporado.

você não acha mais bainha onde encaixar sua faca.

acabou-se o que era doce, o confete foi-se, 
está findo o efeito placebo. 
queimado o filme e desmoronada a encosta 
e esgotada a pilha da prosopopéia.

eia, pois, advogada nossa,
quando esse atrapalho doloroso vai passar?
no dia da eterna noite escura de são nunca.


(Waly Salomão)

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Waly Salomão


De tanto ver 

triunfar as nulidades
nutro grandes esperanças.


(Waly Salomão)

AMANTE da ALGAZARRA


Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.

É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto.
É ela !!!
Todo mundo sabe, sou uma lisa flor de pessoa,
Sem espinho de roseira nem áspera lixa de folha de figueira.

Esta amante da balbúrdia cavalga encostada ao meu sóbrio ombro
Vixe!!!
Enquanto caminho a pé, pedestre -- peregrino atônito até a morte.
Sem motivo nenhum de pranto ou angústia rouca ou desalento:
Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto
E se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo.

Quem corre desabrida
Sem ceder a concha do ouvido
A ninguém que dela discorde
É esta
Selvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde.


(Waly Salomão)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Waly Salomão


Se todas as coisas nos reduzem a zero,

e daí do zero, que temos que partir.


(Waly Salomão)