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quarta-feira, 1 de março de 2017

DEMISSÃO


Este mundo não presta, venha outro. 

Já por tempo de mais aqui andamos 
A fingir de razões suficientes. 
Sejamos cães do cão: sabemos tudo 
De morder os mais fracos, se mandamos, 
E de lamber as mãos, se dependentes. 


(José Saramago)

sábado, 17 de outubro de 2015

José Saramago


Há duas palavras que não se podem usar: 
uma é sempre, outra é nunca.

(José Saramago)

NO CORAÇÃO, TALVEZ


No coração, talvez, ou diga antes: 
Uma ferida rasgada de navalha, 
Por onde vai a vida, tão mal gasta. 
Na total consciência nos retalha. 
O desejar, o querer, o não bastar, 
Enganada procura da razão 
Que o acaso de sermos justifique, 
Eis o que dói, talvez no coração. 


(José Saramago)

O HOMEM DUPLICADO (2014)


O Homem Duplicado é um filme baseado no livro de mesmo nome do escritor português José Saramago, de 2002. Houve adaptações e modificações para levar o livro às telonas logicamente, mas a história gira basicamente em torno de um professor que descobre a existência de um outro cara que seria fisicamente idêntico a ele. Isso começa quando ele vê um filme e um dos atores é idêntico a ele mesmo. Alguns fatos acontecem e eles acabam trocando de lugar, até um desfecho que se não for surpreendente, ao menos vai deixar muita gente ressabiada, ou até sem entender. 

Esta é uma obra marcada por sombras e assombros, almas negras mergulhadas no interior de um espaço permeado por várias metáforas escondidas que gradualmente se vão revelando. Nem sempre tudo faz sentido, sendo que o rumo que a narrativa leva a partir do momento em que Anthony e Adam se encontram pode gerar algumas divisões e apresta-se a interpretações várias. Serão a mesma pessoa? Quais os objetivos de ambos? Nem sempre o conflito psicológico entre ambos é devidamente explorado, tal como as relações com as respectivas caras metades. A cor é um elemento importante do filme. A tonalidade dominante é sépia da fotografia cria uma natural imagem apocalíptica e um sentimento paranóico de pressão da cidade.

 Achei o filme um pouco arrastado, enquanto a história se desenrolava, e o roteiro também bastante confuso. Mas isso apenas em um primeiro momento. Conforme fui pensando na história e conheci o original de José Saramago, as peças foram se encaixando melhor. Não existe apenas uma forma de entender este filme mesmo lendo a obra original que o inspirou. a meia hora final do filme é a grande responsável pelos seus acertos, uma vez que ela concentra todo o fôlego que vinha sendo guardado durante o desenvolvimento da trama e nos mostra que, apesar de toda a mesmice do filme até então, o roteiro guarda uma surpresa pouco comum em comparação aos filmes do gênero.

E mesmo após compreender o filme eu fiquei tentado a revê-lo, mas não porque gostei, apenas para assistir o filme com outra perspectiva, como muitas pessoas fizeram com o filme 'O CLUBE da LUTA" após descobrir o grande final. Dessa forma, o mais-do-mesmo e a previsibilidade do roteiro acabam dando lugar ao imprevisto. (Não estou comparando esse filme com "O Clube da Luta").

O Homem Duplicado cria uma tensão que para um espectador acostumado a filmes com narrativa realista ou verossímil poderá parecer absolutamente sem sentido. Aranha foi uma ideia que surgiu durante a adaptação do livro original para criar desconforto e perplexidade no espectador ao inserir elementos do fantástico e do surrealismo na própria realidade. 

O filme tem dois caminhos para quem acaba de assistir: Ou você AMA ou ODEIA. No meu caso foi a primeira. A maioria das pessoas que eu recomendei esse filme reclamaram bastante comigo. Mas como é feito de diversas metáforas esse filme, pode confundir a cabeça de muitos, assim como confundiu a minha no final. Um filme para mentes mais inquietas e querem buscar os questionamentos humanos.

Uma dica: Preste atenção na mãe de um dos sósias.


NOTA: 10


CICERO[N.C.S]
17/10/2015

O Homem Duplicado (José Saramago)


O HOMEM DUPLICADO (2002) é aquele tipo de livro que vale ler do começo ao fim.  Não que outros não valham, mas, este, especificamente, parece que insiste para que nós, leitores, o abandonemos.  O roteiro aparentemente comum do começo da história nos decepciona, mas a guinada que acontece nela garante a leitura completa. 

A premissa que parece simples vai se estruturando de maneira que prendeu minha atenção que eu não consegui parar de ler. Imagina se você descobrisse que tem um sósia, alguém que é o seu retrato fiel, o mesmo rosto, o mesmo corpo, a mesma voz? Na sua cidade moram cinco milhões de pessoas, normalmente o óbvio é não haver duas iguais, embora, esclareça-se desde logo, esta história não é ficção cientifíca. Não tem clones humanos gerados no laboratório de um cientista louco. 

Um professor de história chamado Tertuliano ao ver um filme indicado por um colega de trabalho se depara com um figurante idêntico a ele, deixando-o muito intrigado, então ele arruma outros filmes da mesma produtora para ver se consegue descobrir o nome do ator.Depois de muito trabalho Tertuliano descobre que o nome do ator é Daniel Santa-Clara e começa a busca frenética para localizá-lo.

A partir daí o dia a dia do professor muda. Máximo Afonso fica extremamente curioso para descobrir quem é o ator, se eles realmente são iguais, de onde surgiram etc. Começa, então, a busca incessante por filmes com o mesmo ator. Dias sem dormir, aulas mal dadas. Tudo isso para saber quem é o sujeito que se parece tanto com ele. Num filme, descobre o nome do ator: Daniel Santa-Clara.

Então o professor descobre onde o ator mora. E descobre que o nome dele não é aquele, e sim: Antonio Claro.  O professor entra em contato com o ator, e a partir daí a vida dos dois se confunde: a curiosidade surge em Antonio Claro que, inicialmente, não havia se importado com a ligação e ele é quem fica curioso para saber quem é o homem que se parece tanto com ele.

O livro é fantástico! Revela o sofrimento de um indivíduo sufocado por conflitos psicológicos com dificuldade de perceber as diferenças entre o real e o imaginário. Mostra, na forma literária, sem se ater a estudos aprofundados da psiquiatria o quanto a mente é capaz de criar situações inimagináveis, conflituosas e devastadoras da felicidade.


Em toda a narrativa, encontramos trechos recheados de significado e de uma verdade nem sempre explícita, o tipo de passagem que dá vontade de copiar para reler depois. As conversas de Tertuliano Máximo Afonso com o “senso comum” e as referências à mitologia enriquecem a história e, ao juntarmos aí a astúcia com que o enredo foi conduzido, o resultado só pode ser um livro surpreendente. 
Se isso ainda não lhe despertou a curiosidade, vá por mim: leia o livro. O final é arrebatador e vai fazer você ficar pensaando por muito tempo!


CICERO[N.C.S]
17/10/2015

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

José Saramago


Dentro de nós há uma coisa
que não tem nome, essa 
coisas somos nós.


(José Saramago)

NÃO ME PEÇAM RAZÕES...


Não me peçam razões, que não as tenho, 
Ou darei quantas queiram: bem sabemos 
Que razões são palavras, todas nascem 
Da mansa hipocrisia que aprendemos. 

Não me peçam razões por que se entenda 
A força de maré que me enche o peito, 
Este estar mal no mundo e nesta lei: 
Não fiz a lei e o mundo não aceito. 

Não me peçam razões, ou que as desculpe, 
Deste modo de amar e destruir: 
Quando a noite é de mais é que amanhece 
A cor de primavera que há-de vir. 


(José Saramago)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

José Saramago


Um novo ser me nasce em cada hora.
O que fui, já esqueci. O que serei
Não guardará do ser que sou agora
Senão o cumprimento do que sei.

(José Saramago)

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

José Saramago


A esperança é como o sal, não 

alimenta, mas dá sabor ao pão.


(José Saramago)

sábado, 1 de agosto de 2015

José Saramago


Se tens coração de ferro, bom proveito.

O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.


(José Saramago)

sábado, 18 de julho de 2015

José Saramago


O que as vitórias tem de ruim

é que elas não são definitivas.
O que as derrotas tem de bom
é que elas não são definitivas.


(José Saramago)