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sexta-feira, 1 de abril de 2016
O AUTO-RETRATO
No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore…
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança…
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão…
e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança…
Corrigido por um louco!
(Mario Quintana)
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
A RUA dos CATAVENTOS
Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
(Mario Quintana)
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Mario Quintana
Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!
(Mario Quintana)
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Caderno H (Mario Quintana)
Para quem não gosta de ler livros de poesia, é uma boa opção, já que ela está presente de modo tão sutil, tão aqui e acolá, que duvido que perceba. Como dizia em um apêndice, só é chamado de livro de poesia porque foi feito por um poeta.
Mario Quintana publicou no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, seu “Caderno H”, feito de poesia, humor, sabedoria. Da crônica ao poema, passando pelas frases cheias de espírito, esses cadernos foram os grandes responsáveis pela consagração popular de sua literatura. A cada novo trecho do Caderno, nos deparamos com a união singular, tão característica de Quintana, da inteligência com a intuição reveladora.
O Caderno H não tem continuidade e deve ser lido como foi escrito – ao léu das horas, “que não são apenas passageiras, mas de humor variado”. E pode ser aberto em qualquer ponto. Aberto e interrompido. Não é Quintana quem assegura o valor das pausas? "Livro é aquele de que às vezes interrompemos a leitura para seguir – até onde? Uma estrelinha...Leitura interrompida? Não. Esta é a verdadeira leitura continuada”.
É a melhor maneira de se aproveitar o Caderno H – livro contido na palavra e penetrante no dizer, pródigo em refletida ironia, alegre, melancólico às vezes, ora impiedoso e ora amável, sempre novo, inesperado e elegante, e sempre, a cada linha e a cada pensamento, iluminado de poesia.
Mario Quintana tem um bom humor que permeia seus escritos. Por isso é bem gostoso de ler, você vai passando as páginas com um gostinho especial nos lábios. Ele tem uma leveza que lhe é peculiar. Sem falar nas suas criticas, algumas eu não concordo, outras me fizeram pensar pela primeira vez em determinados assuntos, mas ele faz isto de modo tão leve, simples...
É a melhor maneira de se aproveitar o Caderno H – livro contido na palavra e penetrante no dizer, pródigo em refletida ironia, alegre, melancólico às vezes, ora impiedoso e ora amável, sempre novo, inesperado e elegante, e sempre, a cada linha e a cada pensamento, iluminado de poesia.
CICERO[N.C.S]
1º/10/2015
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
CANÇÃO do DIA de SEMPRE
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
(Mario Quintana)
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
sábado, 1 de agosto de 2015
Mario Quintana
Neste mundo cheio de espantos
Cheio de mágica de Deus,
O que existe de mais sobrenatural
São os ateus.
(Mario Quintana)
sexta-feira, 1 de maio de 2015
quinta-feira, 23 de abril de 2015
quarta-feira, 22 de abril de 2015
PEQUENO POEMA DIDÁTICO
O tempo é indivisível. Dize,
Qual o sentido do calendário?
Tombam as folhas e fica a árvore,
Contra o vento incerto e vário.
A vida é indivisível. Mesmo
A que se julga mais dispersa
E pertence a um eterno diálogo
A mais inconseqüente conversa.
Todos os poemas são um mesmo poema,
Todos os porres são o mesmo porre,
Não é de uma vez que se morre…
Todas as horas são horas extremas!
(Mario Quintana)
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Espelho Mágico (Mario Quintana)
A minha definição de poesia começa por esse livro ao qual eu fui apresentado aos 20 anos de idade aproximadamente. Apesar de ter escrito muitas letras de música, este livro foi PRIMORDIAL para entender o que é POESIA. Assunto pelo qual nunca dei tanta relevância; por achar algo distante e para alguns pessoas que se dizem do eixo cultural elitizado.
Este livro mostra a poesia de forma SIMPLES e de como é fácil fazer POEMAS sem querer ser SOFISTICADO e distante das pessoas comuns do seu dia a dia. Desde um cafezinho ate um passeio a tarde, e jogando conversa fora com as pessoas, percebe muito mais que a poesia é VIDA tentando de compactar em palavras.
Nas quadras de O ESPELHO MÁGICO, o resgate da capacidade comunicativa não é apenas tema dos versos. Mario Quintana recorre a quadra, forma de poesia conhecida desde a Idade Média.
Nas demais ora o eu lírico fala a um tu indefinido ora personifica o destinatário de sua mensagem ou finalmente emprega o pronome nós, colocando-se ao lado de seu interlocutor.
Em que consiste o diálogo travado, sob diferentes modalidades, nas quadras de “Espelho Mágico”? A variedade de temas e assuntos é grande, estilos, linguagem, arte, bem, mal, beleza, solidão, amor, sofrimentos, morte, vida, conhecimentos, desejos. Contudo, identifica-se por trás de tamanha diversidade, uma intensão de ensinar, comunicar, intercambiar experiências, conforme demonstra o poema “Da Sabedoria Dos Livros”.
Grande gênio, Mario Quintana, o poeta das coisas simples!!!
CICERO[N.C.S]
1º/04/2015
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