Alisa a testa suada do rapaz Toca o talo nu ali escondido Protegido nesse ninho farpado sombrio da semente Então seus olhos castanhos ficam vivos Antes afago pensava ele era domínio. Essas aí não são suas mãos são as minhas E seguras. Minhas mãos buscam se impor Todo conhecimento do jorro viril do meu senhor O gosto perfumado que retém minha língua É engano instalado e não desfeito. Seus olhos chispantes podem retalhar minha pele bárbara Força toda gravidade ir embora. Ele vadeia em águas fechadas Sono profundo altera meus sentidos A meu único rival eu devo obedecer Vai comandar nosso duplo renascer. O mesmo Insano Sustenta Outra vez (Os dois juntos junto de nossos próprios corações) Calei e escrevi Isto em reverência Pela coincidência.
Sempre precisei de um pouco de atenção Acho que não sei quem sou Só sei do que não gosto E destes dias tão estranhos Fica a poeira se escondendo pelos cantos. Este é o nosso mundo: O que é demais nunca é o bastante E a primeira vez é sempre a última chance. Ninguém vê onde chegamos: Os assassinos estão livres, nós não estamos. Vamos sair - mas não temos mais dinheiro Os meus amigos todos estão procurando emprego Voltamos a viver como há dez anos atrás E a cada hora que passa Envelhecemos dez semanas. Vamos lá, tudo bem - eu só quero me divertir. Esquecer, dessa noite ter um lugar legal p'rá ir Já entregamos o alvo e a artilharia Comparamos nossas vidas E esperamos que um dia Nossas vidas possam se encontrar. Quando me vi tendo de viver comigo apenas E com o mundo Você me veio como um sonho bom E me assustei Não sou perfeito Eu não esqueço A riqueza que nós temos Ninguém consegue perceber E de pensar nisso tudo, eu, homem feito Tive medo e não consegui dormir. Comparamos nossas vidas E mesmo assim, não tenho pena de ninguém.
Perdi vinte em vinte e nove amizades Por conta de uma pedra em minhas mãos Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes Estou aprendendo a viver sem você Já que você não me quer mais. Passei vinte e nove meses num navio E vinte e nove dias na prisão E aos vinte e nove com o retorno de Saturno Decidi começar a viver. Quando você deixou de me amar Aprendi a perdoar E a pedir perdão. E vinte e nove anjos me saudaram E tive vinte e nove amigos outra vez.
Era impossível achar quem, após ouvir a célebre canção Faroeste Caboclo, que não a imaginasse no cinema. Demorou muito, aliás mais do que devia, mas chegou. E o melhor: Chegou para arrasar! A música Faroeste Caboclo, de autoria do líder da banda Legião Urbana, Renato Russo, tinha uma letra com uma duração extensa de 9 minutos e contava a trajetória de João de Santo Cristo, saído da pobreza para Brasília, se tornava um grande traficante, se apaixonava por Maria Lúcia e terminava sua história num duelo acirrado com Jeremias, traficante rival que acabava com sua vida. A vinda de uma adaptação cinematográfica era sonhada por muitos: a história tinha potencial e trazia consigo uma jornada de um homem pela oportunidade, mas que é acompanhado pela violência desde criança. Aliás, a trama começa assim (Quem conhece a música, sabe que isso não é spoiler), onde João (Fabrício Boliveira) leva o derradeiro tiro de Jeremias (Felipe Abib), ao grito de Maria Lúcia (Ísis Valverde). A partir daí acompanhamos a vida dele e alguns flashbacks nos lembram quem era ele quando criança, os acontecimentos que o marcaram e os obstáculos por qual passou. Os que irão assistir ao filme esperando encontrar um possível clipe em formato de longa metragem podem se decepcionar, visto que o diretor René Sampaio, juntamente com os roteiristas fizeram algumas adaptações e modificações para a linguagem cinematográfica, visando encaixar melhor as peças que compõem a enredo e fazendo com que a história nesse formato faça mais sentido. É indiscutível que o mérito de 'Faroeste Caboclo' foi não ter se mantido tão fiel a obra original, mas ainda assim respeitá-la e bebê-la de sua fonte o que fatalmente agradará aos fãs menos e mais fieis. Ter escolhido bem o elenco e os cenários também foi uma bola dentro. E também ter nos mostrado uma Brasília preconceituosa e com vários muros invisíveis através de uma alegórica estória de western, mostrou uma sensibilidade e inteligência. Faroeste Caboclo revela-se um filme realista e empolgante. Realista por tratar de um problema político-social, com a epopeia de um jovem negro pobre sem rumo, que apesar de ser contextualizado nos anos 80, no Planalto Central, funciona indubitavelmente nos dias de hoje. E empolgante, ainda mais para os fãs do Legião Urbana, já que abre com os acordes da música e a sensação nostálgica quase que inevitável para quem viveu os anos 80 e 90. Vale muito a pena!
Somos tão jovens não esconde que é um filme para fãs de Renato Russo. Não traz nenhuma novidade, conta algumas histórias conhecidas e deixa de fora outras tantas. No fundo, é um filme bem convencional ao falar de um músico que pregava a transgressão, dizendo: “Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião”. Porém o clima do filme é ótimo não me deixando dúvidas de que ele vai agradar a maioria dos fãs, assim como eu. Vários hits da banda são tocados e em alguns casos até são explicadas as suas origens. O Thiago Mendonça em todos os sentidos está muito bem no papel. De forma quase assustadora, lembra demais Renato Russo. Em certo momento do filme em que o ator está barbado, a semelhança é ainda mais impressionante. E não é apenas física. Os maneirismos, o jeito de andar, de mexer nos óculos, de falar. Está tudo lá. Ele até fez até aula de violão e fez um laboratório sobre Renato Russo, pedindo até mesmo auxilio da família do líder legionário. O maior defeito do filme não é o que ele é, e sim o que ele poderia ser. Quem conhece ao menos um pouco da história da Legião Urbana e suas músicas; o filme com certeza vai agradar. Já estaremos envolvidos mesmo antes de assistirmos. Mas imaginem alguém que não faz a menor ideia de quem é o Renato Russo, Marcelo Bonfá ou Capital Inicial? Vocês acham que essa pessoa iria se divertir tanto, se envolver com a história? Vale destacar a reconstrução da época, detalhada e bastante cuidadosa. Não só nos figurinos, penteados e cenários. Mas também os carros (placas inclusive), eletrodomésticos, bebidas, cigarros, até logomarcas de empresas que existem até hoje mas que tinham um layout diferente do atual. Pode parecer pouco importante, mas o cuidado com esses pequenos detalhes garante que o espectador não se veja saindo do universo do filme ao perceber algo “mais moderno” que a época retratada. O filme anda, anda e não sai do lugar; caminha pelo drama, mas não se aprofunda; chega ao romance, mas não ao amor; e, finalmente, chega na música e nas guitarras, mas sem a rebeldia cuja obra necessitava. A sensação é a de que poderia ser bem melhor e mais grandioso. Apesar das limitações de orçamento, a obra parece inacabada e não é digna da história dessa banda, muito menos a do vocalista e compositor A impressão que soa é de que não sabemos o que realmente aconteceu do que foi visto em tela. O filme foca as mudanças pelas qual Renato passou em sua ascensão até se tornar aquela figura conhecida por todos. Excitado pelo rock, em crise de identidade, ele pula de galho em galho para saber em qual quer ficar.
Por mais que o filme não explore de maneira aprofundada a personalidade de Renato Russo. Cada expectador terá uma experiência única de acordo com seu grau de envolvimento de maior ou menor proximidade com o poeta do rock de brasília. Mesmo não atingindo algo que poderia de sido melhor trabalhado em seu roteiro, não há duvidas que a alma de Renato estava presente neste filme. Destaque para a cena que ele canta "Ainda é Cedo" para sua pseudo-namorada. O ponto mais alto do filme.
NOTA: 7
PONTO POSITIVO: - Reconstituição de época - Músicas da Legião Urbana - Interpretação de Thiago Mendonça como Renato Russo
PONTO NEGATIVO: - História superficial - Roteiro sem fluides - Falta de identidade no filme
O livro não é uma biografia, ao contrário, ele passa muito longe disso. Ao ler as páginas desse livro me senti viajando na mente do genial poeta que Renato Russo era. Acredito que o grande intuito desse livro era mostrar o Renato por trás de tudo aquilo que conhecemos, o homem cheio de virtudes e defeitos. É possível perceber com esses relatos é que Renato Russo era muito intenso. As coisas do mundo e as ações das pessoas o afetavam bastante. Isso não é, de fato, uma surpresa, pois conhecendo suas composições, é evidente sua extraordinária sensibilidade. O que, nem sempre, era algo positivo, pois muitas vezes ele colocava suas energias em sentimentos auto-destrutivos.
No diário do recomeço vemos um Renato vulnerável, mas sempre sendo Renato. Um relato cheio de sentimentos profundos e verdadeiros do líder da Legião Urbana. Uma obra narrada pelo próprio, descrevendo em detalhes todo o programa que ele seguiu entre abril e maio de 1993 durante vinte e nove dias. Período que esteve internado para tratar a dependência química de álcool, cocaína e tranquilizantes em uma luta pela vida, após quase ter se deixado vencer pelo vício e pela sua depressão latente. O diário de 29 dias nesta clínica de reabilitação Vila Serena virou um livro contado da perspectiva de um dos maiores cantores e compositores da época sobre sua própria vida. No livro lemos sobre sentimentos, e momentos que marcaram a vida do cantor, e durante todo o tratamento ele segue o cronograma a risca nos favorecendo de suas reflexões sobre sua vida, suas escolhas, as grandes decisões e os problemas. O livro nos traz muitas reflexões e traz uma capa que é linda. A escrita de Renato foi preservada, inclusive com suas abreviações e algumas páginas incluem sua escrita real e suas ilustrações. A fonte usada no livro é azul para se assemelhar à cor de uma caneta e tudo isso nos torna ainda mais próximos de Renato. Ao tentar se reencontrar, Renato Russo vai nos mostrando como é preciso ter em mente que “primeiro as primeiras coisas” e que é importante não transformar a vida em uma tragédia. Com calma e assertividade a gente chega aonde quiser. CICERO[N.C.S] 11/10/2015
Quando eu li “Renato Russo de A a Z: As ideias do líder da Legião Urbana” foi como se eu tivesse mergulhado no mundo do legionário, e acabei descobrindo que até tenho pensamentos parecidos com os dele. O livro é composto de fragmentos de entrevistas dadas por ele, feito em verbetes e organizadas por tópicos em ordem alfabética. Oferece ao leitor um raio-x do pensamento do grande poeta do Rock Brasileiro. Ele não conta a história de Renato Russo de ponta a ponta. A autora buscou na mídia e juntou em um livro. Nele podemos encontrar entrevistas, artigos e tudo que a mídia sabe sobre o cantor. Ao ler você percebe a progressão de pensamento dele, que ele muda com o decorrer do tempo, mas ele sempre é o mesmo. Você percebe ele não como um mero artista, mas como uma pessoa normal que tem problemas como nós, que passa por dificuldades e transtornos, e que ao mesmo tempo quer mudar o mundo. Que ele sempre tinha uma ideia, do romantismo dele e, como queria passar as coisas boas para nós. Os pensamentos de um poeta que tinha a intenção de ser simples, direto e sincero a quem quisesse. Fosse para a crítica ou ao público. Nada escapa ao seu espírito polêmico e à sua sensibilidade a flor da pele. Renato Russo aparece por inteiro, exuberante, inesquecível, verdadeiro, critico, engraçado, poético, louco... Mas porém um cara que tinha coragem de ser o que é. Simplesmente autêntico.
Nas favelas, no senado Sujeira pra todo lado Ninguém respeita a constituição Mas todos acreditam no futuro da nação. Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse? No Amazonas, no Araguaia, na Baixada fluminense No Mato grosso, Minas Gerais e no Nordeste tudo em paz Na morte eu descanso mas o sangue anda solto Manchando os papéis, documentos fiéis Ao descanso do patrão. Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse? Terceiro Mundo se for Piada no exterior Mas o Brasil vai ficar rico Vamos faturar um milhão Quando vendermos todas as almas Dos nossos índios num leilão. Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse?
Nossas meninas estão longe daqui Não temos com quem chorar e nem pra onde ir Se lembra quando era só brincadeira Fingir ser soldado a tarde inteira? Mas agora a coragem que temos no coração Parece medo da morte mas não era então Tenho medo de lhe dizer o que eu quero tanto Tenho medo e eu sei porque: Estamos esperando. Quem é o inimigo? Quem é você? Quem é o inimigo? Quem é você? Quem é o inimigo? Quem é você? Nos defendemos tanto tanto sem saber Porque lutar. Nossas meninas estão longe daqui E de repente eu vi você cair Não sei armar o que eu senti Não sei dizer que vi você ali. Quem vai saber o que você sentiu? Quem vai saber o que você pensou? Quem vai dizer agora o que eu não fiz? Como explicar pra você o que eu quis. Somos soldados Pedindo esmola. E a gente não queria lutar E a gente não queria lutar E a gente não queria lutar.
Mudaram as estações, nada mudou Mas eu sei que alguma coisa aconteceu Tá tudo assim, tão diferente Se lembra quando a gente Chegou um dia a acreditar Que tudo era pra sempre Sem saber que o pra sempre sempre acaba. Mas nada vai conseguir mudar o que ficou Quando penso em alguém, só penso em você E aí, então, estamos bem. Mesmo com tantos motivos Pra deixar tudo como está Nem desistir, nem tentar Agora tanto faz Estamos indo de volta pra casa.
Quando o sol bater na janela do teu quarto Lembra e vê que o caminho é um só. Por que esperar se podemos começar tudo de novo Agora mesmo A humanidade é desumana Mas ainda temos chance O Sol nasce pra todos Só não sabe quem não quer. Quando o sol bater na janela do teu quarto Lembra e vê que o caminho é um só. Até bem pouco tempo atrás Poderíamos mudar o mundo Quem roubou nossa coragem? Tudo é dor E toda dor vem do desejo de não sentirmos dor. Quando o sol bater na janela do teu quarto Lembra e vê que o caminho é um só. (Renato Russo)