ATO INSTITUCIONAL PERMANENTE: É assim que deveria ser definido este livro. Que oferece em sua abordagem valores esquecidos nestes dias de hoje. Obra que chega ate ser mesmo atemporal por assim dizer. O livro poético mais conhecido do poeta amazonense Thiago de Mello que mostra uma poesia engajada com os valores do homem perante a sociedade. A poesia de Thiago de Mello é econômica, sem exageros de estilo. A impressão do leitor é que os versos transcendem a leitura, são feitos para tocar, acalentar na alma. São poemas que tiram a beleza da simplicidade do cotidiano ou revivem ideais de humanidade cada vez mais esquecidos. De uma profundidade avassaladora. A vontade de ser um ser humano mais amável, tolerante e reconciliador se estabelece imediatamente. A visão do autor vem da experiência dolorosa do exílio e da ditadura militar. Sua visão social fica mais apurada e nasce um grito de liberdade do homem enquanto indivíduo para atingir as massas. Parte que eu destaco é o artigo 2, parte que já foi ate usada numa propaganda de carro: Artigo II Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
A luz que me abriu os olhos para a dor dos deserdados e os feridos de injustiça, não me permite fechá-los nunca mais, enquanto viva. Mesmo que de asco ou fadiga me disponha a não ver mais, ainda que o medo costure os meus olhos, já não posso deixar de ver: a verdade me tocou, com sua lâmina de amor, o centro do ser. Não se trata de escolher entre cegueira e traição. Mas entre ver e fazer de conta que nada vi ou dizer da dor que vejo para ajudá-la a ter fim, já faz tempo que escolhi.