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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Hilda Hilst



Quem és ? Perguntei ao desejo.
Respondeu: Lava. Depois pó.
Depois nada.


(Hilda Hilst)

sábado, 5 de setembro de 2015

MEU ÓDIO-AMOR


Se a tua vida se estender

Mais do que a minha
Lembra-te, meu ódio-amor,
Das cores que vivíamos
Quando o tempo do amor nos envolvia.
Do ouro. Do vermelho das carícias.
Das tintas de um ciúme antigo
Derramado
Sobre o meu corpo suspeito de conquistas.
Do castanho de luz do teu olhar
Sobre o dorso das aves. Daquelas árvores:
Estrias de um verde-cinza que tocávamos.

E folhas da cor das tempestades
contornando o espaço
De dor e afastamento.

Tempo turquesa e prata
Meu ódio-amor, senhor da minha vida.
Lembra-te de nós. Em azul. Na luz da caridade.


(Hilda Hilst)

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Hilda Hilst


Toma contento

Se te sabes pesado
Dessa ideia de nada
É um pensar para sempre.

(Hilda Hilst)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Hilda Hilst


Me queimo 

em sonhos, 
tocando estrelas.

(Hilda Hilst)

AMAVISSE


Como se te perdesse, assim te quero.

Como se não te visse
(favas douradas sob um amarelo) 
assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro
Um arco-íris de ar em águas profundas.

 Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.

Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada.

Descansa.
O Homem já se fez
O escuro cego raivoso animal
Que pretendias.


(Hilda Hilst)