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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Manoel de Barros


Para ter mais certezas tenho 
que me saber de imperfeições.


(Manoel de Barros)

OS DESLIMITES da PALAVRA


Ando muito completo de vazios.

Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.

(Manoel de Barros)