domingo, 20 de setembro de 2015

MINHA IMORTAL


Estou cansado de estar aqui

Sufocado por todos os meus medos infantis
E se você tiver que ir embora
Gostaria então que fosse
Pois sua presença ainda persiste comigo
E não quer me deixar em paz.

Estas feridas parecem não querer sarar
Esta dor é muito real
Há tantas coisas que fica impossível o tempo apagar.

Quando você chorava, eu secava todas as tuas lágrimas
Quando você gritava, eu espantava todos os teus medos
E segurei a tua mão por todos esses anos
Mas você ainda me tem por completo.

Você costumava me cativar pela sua luz ressonante
Agora estou preso à vida que você deixou para traz
Seu rosto assombra meus sonhos até então prazerosos
Sua voz afugentou toda a minha santidade.

Eu tentei me convencer tantas vezes de que você foi embora
Mas ainda está comigo
Estive sozinho por todo esse tempo.


(Amy Lee)

FAZ ANOS NAVEGO O INCERTO



Faz anos navego o incerto.
Não há roteiros nem portos.
Os mares são de enganos
e o prévio medo dos rochedos
nos prende em falsas calmarias.
As ilhas no horizonte, miragens verdes.
Eu não queria nada além
de olhar estrelas
como quem nada sabe
para trocar palavras, quem sabe um toque
com o surdo camarote ao lado
mas tenho medo do navio fantasma
perdido em pontas sobre o tombadilho
dou a face e forma a vultos embaçados.
A lua cheia diminui a cada dia.
Não há respostas.
Queria só um amigo onde pudesse jogar o coração
como uma âncora.


(Caio Fernando Abreu)

DÁ-ME A TUA MÃO


Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir – nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.



(Clarice Lispector)

O PROFISSIONAL - 1994


O PROFISSIONAL é um tipo de filme que marca o estilo de um diretor. E no caso de Luc Besson é um dos poucos que conseguem colocar sua marca autoral em seus trabalhos. Uma das particularidades do diretor Luc Besson é juntar algo extraordinário com um elemento simples para agregar na história. Juntar o comum com o incrível. E nesse caso uma garota pre-adolescente, um assassino profissional e uma planta.


A direção é aguçada e estilosa de Besson, dão aspecto único ao filme. Ele também nos surpreende muito como escritor aqui, nos apresentando uma história muito dinâmica e comovente.
Em partes, é por causa de se tratar de um filme de 1994, mas há ai também um toque pessoal do diretor, que sabe como organizar tais cenas a partir de uma montagem sofisticada, capaz de esconder parte da violência da visão do espectador.

Para amenizar o tom dramático, há momentos de humor que permeiam a trama, aparecendo de tempos e tempos, para retirar uma risada ou outra, sem fazer com que o clima da história se perca. É algo só para descontrair e que se encaixa muito bem na proposta do longa.

Leon é um assassino da máfia italiana em Nova York, calmo, calculista, sempre faz um trabalho bem-feito, e vive em perfeita organização em seu mundinho solitário. Tudo muda quando ele decidi acolher a pequena Mathilda, cuja família foi assassinada por agentes do governo corruptos.
A partir daí, a vida de Leon fica diferente: não só ele tem que se preocupar em prover para a menina, mas ainda a treina para a vida de assassina (a pedido dela), e tem que recusar os avanços dela, que quer a todo custo fazer de Leon seu “primeiro homem”. Sem contar que, ter uma adolescente andando com você nesse tipo de emprego acaba sendo uma desvantagem, apesar de Mathilda mostrar aptidão. O relacionamento entre os dois é levado com muita sensibilidade, sem nunca cair no apelativo, o que seria fácil, com essa premissa. 

Com um roteiro consistente, “O Profissional” traz uma história cheia de humanidade, que quebra os paradigmas do assassino de aluguel ao mostrar esse personagem sofrendo problemas do cotidiano e evoluindo-o a partir disso. É a prova de que pode fazer um bom filme de ação, sem se perder nos tiroteios e explosões assim como algumas produções contemporâneas do gênero.


NOTA: 10



CICERO[N.C.S]
20/09/2015

Feliz Por Nada (Martha Medeiros)


Tá bom, vai... Pode parecer estranho um homem ler esse tipo de livro que fala de maneira tão interessante sobre as mulheres. Mas a autora mostra no seu universo pessoal, uma forma de passar esse mundo feminino sem ser piegas ou doutrinário. 


Olha, por ser um livro de Crônicas, Martha dialoga com o leitor (maioria feminina com certeza) de forma direta, então vocês vão encontrar falando de Deus, amor, amizade, gentileza, ausência, filhos... Todas voltadas para reflexão aonde muitas mulheres irão se identificar bastante com elas e também ajudar a refletir em muitas coisas da vida, como o próprio nome do livro já nós diz, “Feliz por Nada”.
Ele já começa com uma crônica super interessante que é uma das que eu mais gosto, “Dentro de um abraço”. Não que eu não goste das outras. Na verdade por ter gostado do livro, gostei de todas, mas sempre tem aquela que te chama mais atenção, assim como existem outras bem chamativas.

Para quem conhece seu romance que virou filme, Divã, sabe que ela tem o dom de falar de assuntos cotidianos, nos divertir e fazer aproveitar melhor a vida.

Em cada crônica você pode se ver em uma situação comum do cotidiano comum de Martha que pra mim não é tão comum assim, em algum comentário ou pensamento, você pode se ler, ler um amigo, ler a sua vida, e ler coisas a respeito sobre o que gosta e não gosta. Você vive, você pensa, você reflete, você sonha, você sente.

Destacando as crônicas: Dentro de um abraço, Atravessando a fronteira do oi, As esquisitices do amor, O amor que a vida traz, Os ausentes, A melhor coisa que não me aconteceu, Amigo de si mesmo, Nunca imaginei um dia, Feliz por nada, Tudo pode dar certo, Sons que confortam, Beijo em pé.

CICERO[N.C.S]
20/09/2015

Para Não Dizer Adeus (Lya Luft)


PARA NÃO DIZER ADEUS marca o retorno de Lya Luft à poesia em um volume que reúne poemas antigos e outros mais recentes, quase todos bem atuais e inéditos. Os leitores de Lya Luft encontrarão neste livro material para reflexão sobre questões do cotidiano - a relação entre pais e filhos, a relação entre amantes, o medo da morte, as dificuldades em aceitar as perdas, as amarras que, muitas vezes, nos impedem de ousar e amadurecer.


Em "Para Não Dizer Adeus" Lya Luft desnuda os mais profundos sentimentos humanos: a solidão, a morte, o amor, o vício, o assombramento e o desencontro. Entre poemas antigos e inéditos em sua maioria, Lya Luft mostra algumas de suas várias faces e retoma, com extrema delicadeza, alguns dos principais temas encontrados em sua prosa.

Lya Luft é a popular autora do livro "Perdas & Ganhos", destaque na lista de mais vendidos do país (só na Veja está há mais de 80 semanas consecutivas), "Pensar é transgredir", "O rio do meio" .
A autora é colunista da Veja e uma das mais requisitadas conferencistas do país. 

CICERO[N.C.S]
20/09/2015

sábado, 19 de setembro de 2015

JULGA-ME AVE CESAR


Cobre com seu pano de fundo

Continua em sua ideia de sempre
Na mesma queixa padrão rotineira
Citações de uma sorte sequente.

Só porque pensamos diferente
Diz que minha frase é loucura
Te mostrei todos os meus livros
O que você ainda procura?

Mãos postadas me ajudaram
Retribuo no meu canto de oração
Seu gesto me fez ser bem melhor
Não deixe as palavras serem em vão!!!


CICERO[N.C.S]

19/09/2011


*Poema dedicado ao colega Cesar Ramos (Não deixe o fanatismo te cegar)

PACTO de FLORES


Descarto seu depor
Só meu flerte já basta
Não me envie mais flor.

Sua amizade não tem valor
Fiz um pacto sagrado
Recebo flores só do meu amor.

Na minha previa visão
Te faço mais um entre tantos
Sigo ao extremo a condição.

Não quebro minha promessa
É assim, pétala por letra
Deleto suas flores com pressa!!!


CICERO[N.C.S]

19/02/2011

PROMESSAS e FOTOS


O que eu não sei dizer
Está refletido em você
Por pensar demais
No que quero fazer.

Já perdemos as fotos
Não cumprimos promessas
Ficamos imaginando
Que horas são essas ?

Entre a tragédia e a glória

Das palavras que eu disse
Ninguém sabe quem erra
Esqueça todo tipo de tolice.


CICERO[N.C.S]
22/08/1997


*Poema dedicado a minha grande amiga Eliza Fonseca

Clarice Lispector


Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.


(Clarice Lispector)

Humberto Gessinger


A medida de amar 
é amar sem medida.


(Humberto Gessinger)

Frida Kahlo


Emparedar o próprio sofrimento é 
arriscar que ele te devore por dentro.


(Frida Kahlo)

Fabrício Carpinejar


Liberdade na vida é ter 
um amor pra se prender.


(Carpinejar)

EU CONTRA A NOITE


Fiz um contrato com a noite
O céu sorriu estrelado
Ruas vazias de gente
Testemunhando desejos
Antecipando teus gestos
Leves, complexos, simples.

Em pleno vôo noturno
Zona de pura alegria
A solidão sozinha
Corria atrás de mim
Experimentando assim
Assim.

Hoje
Hoje é meu dia de gente
Hoje é proibido dormir
Hoje
Hoje é meu dia de gente
Até o amanhecer
Quero estar com você.

Hoje
Hoje é meu dia de gente
Hoje é proibido dormir
Até o amanhecer
Quero estar com você.

(Paula Toller)

DEPOIS


Depois de sonhar tantos anos
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também.

Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também.

Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também.

Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois.


(Marisa Monte)